Brasileiros precisam de visto para ir à China?
Durante décadas, a China exigiu visto de praticamente todos os viajantes estrangeiros. Isso mudou em 1 de dezembro de 2023, quando Pequim anunciou a isenção de visto para cidadãos brasileiros com passaporte comum — parte de um acordo bilateral de reciprocidade com o Brasil.
Com a isenção, brasileiros podem entrar na China sem visto por até 30 dias corridos, para fins de turismo, visitas a fornecedores, participação em feiras comerciais, reuniões de negócios, trânsito e visitas pessoais.
Boa notícia para importadores: visitar a Canton Fair, a Feira de Yiwu ou fornecedores em Guangzhou, Shenzhen ou Hangzhou — tudo cabe tranquilamente dentro dos 30 dias de isenção, sem burocracia consular.
A isenção se aplica somente ao passaporte comum (azul). Passaportes diplomáticos e de serviço seguem regras específicas.
O que você precisa mesmo sem visto
Não precisar de visto não significa chegar na China sem documentação. A imigração chinesa verifica os seguintes requisitos na entrada:
- Passaporte com validade mínima de 6 meses além da data de saída prevista da China
- Pelo menos uma página em branco para o carimbo de entrada
- Passagem de retorno confirmada (ou comprovante de saída do país dentro dos 30 dias)
- Endereço de hospedagem no país — hotel confirmado ou carta-convite de empresa chinesa
- Meios financeiros suficientes para a estada (extrato bancário pode ser solicitado)
Atenção: 30 dias por entrada, não por ano. Ao contrário do que muitos pensam, o limite de 30 dias se aplica a cada entrada — mas entrar e sair repetidamente com estadias de 30 dias pode levantar suspeitas na imigração. Se planear várias viagens por ano, é mais seguro obter um visto de múltiplas entradas.
Quando o visto ainda é necessário
A isenção de visto não cobre todas as situações. Você ainda precisará de visto nos seguintes casos:
- Estadas superiores a 30 dias por entrada
- Atividades de trabalho remunerado na China (mesmo temporariamente)
- Cursos, estágios ou estudos formais
- Instalação de equipamentos, assistência técnica ou outros serviços especializados de longa duração
- Residência de longo prazo ou reagrupamento familiar
- Jornalistas em cobertura com credencial de imprensa
Se o seu caso se enquadra em algum desses pontos, o visto é obrigatório — e a escolha do tipo correto é fundamental para evitar problemas na imigração.
Tipos de visto para a China
A China classifica os vistos por finalidade. Para empresários e importadores brasileiros, os mais relevantes são:
Turismo
Para viagens de lazer, visitas a familiares ou turismo geral. Não autoriza atividades comerciais formais. Pode ser emitido com 1 ou 2 entradas e validade de 30 a 90 dias.
Atividades Comerciais de Curto Prazo
O mais adequado para quem vai visitar fornecedores, participar de feiras, negociar contratos ou inspecionar fábricas por períodos superiores a 30 dias. Permite múltiplas entradas e validade de até 1 ano.
Intercâmbio, Visita Técnica ou Treinamento
Para visitas de caráter não comercial: intercâmbio cultural, treinamentos técnicos em fábricas, visitas institucionais. Muito usado por engenheiros e técnicos em missões de curta duração.
Trabalho
Para quem vai trabalhar de forma remunerada na China. Exige oferta de emprego de empresa chinesa e permissão de trabalho emitida pela autoridade chinesa. Processo mais longo e burocrático.
Estudo
Para cursos de idioma, graduação, pós-graduação ou outros programas educacionais formais com duração superior a 180 dias (X1) ou inferior (X2).
Para a maioria dos importadores brasileiros que visitam a Canton Fair, a Feira de Yiwu ou fornecedores por mais de 30 dias, o visto M de múltiplas entradas é a escolha mais prática: cobre as atividades comerciais, permite sair e voltar, e tem validade de até 1 ano.
Passo a passo: como tirar o visto para a China
01 Determine o tipo de visto necessário
Antes de qualquer coisa, defina a finalidade real da sua viagem. Declarar "turismo" quando a intenção é fechar contratos pode resultar em recusa na imigração. Para visitas a fornecedores e feiras de mais de 30 dias, opte pelo visto M.
02 Reúna os documentos
Os documentos variam ligeiramente por tipo de visto, mas para o visto M (negócios) o pacote padrão é:
- Passaporte original com validade mínima de 6 meses e uma página em branco
- Formulário de pedido de visto preenchido (disponível no site do Consulado)
- Foto recente (3,5 × 4,5 cm, fundo branco, colorida)
- Cópia do passaporte (página com foto e últimas entradas)
- Carta-convite de empresa chinesa ou carta da empresa brasileira explicando a finalidade da viagem
- Registro empresarial ou CNPJ da empresa brasileira
- Passagem de ida e volta (reserva confirmada)
- Comprovante de hospedagem (reserva de hotel)
- Extrato bancário dos últimos 3 meses
03 Agende no CVASC ou Consulado
O atendimento é feito exclusivamente com agendamento prévio, marcado online no site do Centro de Serviços de Visto da China (CVASC) ou do Consulado correspondente à sua cidade. Chegue com antecedência — atrasos podem resultar em perda do horário.
04 Compareça ao atendimento
Entregue os documentos no balcão. O atendente irá verificar a documentação, coletar as suas digitais e fotografá-lo. Não é uma entrevista formal, mas esteja preparado para responder perguntas básicas sobre a finalidade da viagem.
Dica prática: leve os documentos organizados na ordem exata pedida pelo formulário. CVASC e Consulados têm alto volume de atendimentos — uma pasta bem organizada agiliza o processo e demonstra seriedade.
05 Aguarde o processamento
O prazo varia conforme a modalidade escolhida (ver tabela na próxima seção). Durante o processamento, não é possível viajar com o passaporte — planeje a solicitação com antecedência em relação à data de partida.
06 Retire o visto
Ao ser notificado, retire o passaporte pessoalmente ou por terceiro autorizado. Confira imediatamente os dados impressos no visto: nome, tipo, validade, número de entradas e duração de estada permitida. Qualquer erro deve ser corrigido antes de viajar.
Onde solicitar o visto no Brasil
O Brasil conta com pontos de atendimento consular chineses em três cidades:
| Local | Tipo | Estados atendidos |
|---|---|---|
| São Paulo (CVASC) | Centro de Serviços de Visto | SP, MG, ES, PR, SC, RS, GO, DF e demais estados |
| Brasília (Embaixada) | Embaixada da China | DF e estados do Centro-Oeste |
| Rio de Janeiro (Consulado-Geral) | Consulado-Geral | RJ, ES (para alguns casos) |
Para a maioria dos empresários brasileiros, o CVASC de São Paulo é a opção mais conveniente — tem maior capacidade de atendimento e oferece serviço expresso e urgente.
Prazos e custos
| Modalidade | Prazo | Custo aproximado |
|---|---|---|
| Regular | 4 dias úteis | R$ 250 – R$ 350 |
| Expresso | 2–3 dias úteis | R$ 400 – R$ 500 |
| Urgente | 1 dia útil | R$ 500 – R$ 650 |
Os valores acima são estimativas baseadas nas tabelas consulares vigentes em 2026 e podem ser reajustados sem aviso prévio. Consulte sempre o site oficial do Consulado ou CVASC para valores atualizados. O pagamento é feito diretamente no balcão, geralmente em dinheiro ou cartão.
Planeje com pelo menos 15 dias de antecedência. Antes de feiras como a Canton Fair, a demanda por vistos aumenta significativamente — agendamentos ficam escassos e prazos podem se estender.
Dicas essenciais para viagens de negócios à China
O visto (ou a isenção) é só o começo. Quem viaja à China para fazer negócios precisa estar preparado para um ambiente muito diferente do ocidental:
- Cartão de visita bilíngue (português/mandarim): trocar cartões é um ritual importante nas relações comerciais chinesas. Tenha-os prontos antes de embarcar.
- WeChat instalado e ativo: é o principal meio de comunicação profissional e pessoal na China. Crie a conta antes de viajar e adicione os seus contatos chineses.
- VPN no celular: Google, WhatsApp, Instagram e a maioria dos serviços ocidentais estão bloqueados na China. Uma VPN configurada antes de entrar no país é essencial.
- Alipay ou WeChat Pay: a China é quase cashless — pagamentos são feitos por QR code. Estrangeiros podem vincular cartão internacional ao Alipay para uso básico.
- Chip local ou roaming internacional: o chip local chinês é mais barato e funciona melhor para dados. Verifique com o seu operador o custo do roaming antes de partir.
- Endereço do hotel em mandarim: guarde uma foto da escrita em mandarim do endereço da hospedagem — essencial para mostrar ao taxista ou motorista do DiDi.
Não deixe a VPN para instalar na China. As lojas de aplicativos também estão sujeitas à censura — muitas VPNs não estão disponíveis para download dentro do país. Configure tudo antes de embarcar.
Perguntas frequentes sobre visto para a China
Brasileiros precisam de visto para ir à China?
Não, desde 1 de dezembro de 2023 os brasileiros com passaporte comum podem entrar na China sem visto para estadias de até 30 dias, para fins de turismo, negócios, trânsito e visitas pessoais. Para estadias mais longas, trabalho remunerado ou estudo, o visto ainda é obrigatório.
Posso visitar a Canton Fair sem visto?
Sim. A maioria das edições da Canton Fair dura entre 5 e 15 dias por fase, dentro do limite de 30 dias da isenção de visto para brasileiros. Se planear visitar mais de uma fase consecutiva ou permanecer na China por mais de 30 dias, precisará de um visto M (negócios) ou outro tipo adequado ao propósito da viagem.
Qual é o visto correto para visitar fornecedores na China?
Para visitas pontuais a fornecedores com duração de até 30 dias, a isenção de visto é suficiente. Para estadias mais longas, negociações comerciais formais ou visitas repetidas no mesmo ano com total superior a 30 dias, o visto M (atividades comerciais de curto prazo) é o mais adequado.
Quanto custa o visto para a China?
O custo varia conforme o tipo e prazo de processamento. Um visto de entrada simples (categoria L ou M) em prazo regular (4 dias úteis) custa aproximadamente R$ 250 a R$ 350. Serviço expresso (2 dias úteis) ou urgente (1 dia útil) pode custar entre R$ 400 e R$ 600. Os valores são definidos pelo Consulado Chinês e podem sofrer alterações.
Onde posso solicitar o visto chinês no Brasil?
O visto pode ser solicitado nos Centros de Serviços de Visto da China (CVASC) em São Paulo e Brasília, ou diretamente no Consulado-Geral da China em São Paulo, no Consulado-Geral em Rio de Janeiro e na Embaixada em Brasília. É obrigatório agendar horário online com antecedência.
Qual a validade do passaporte necessária para entrar na China?
O passaporte deve ter validade mínima de 6 meses além da data de retorno prevista e pelo menos uma página em branco para o carimbo de entrada. Passaportes com menos de 6 meses de validade podem ser recusados na imigração, mesmo no regime de isenção de visto.